Apresentação Caso Clinico

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Sra. J (nome fictício), 57 anos, separada, tem duas filhas e uma neta, reside na região Centro Oeste do Brasil, é dona de um bar de onde tira seu sustento.
No decorrer de sua vida foi submetida a vários procedimentos cirúrgicos. Devido aos mesmos a paciente aprendeu a lidar com a ansiedade. Fez tratamento de hemodiálise durante 7 anos, e há mês passou por uma cirurgia de Transplante Renal. Após o procedimento cirúrgico a diabetes descompensou, o que ocasionou a sua internação atual. Quando questionada sobre a internação não demonstrava medo ou ansiedade, pelo contrário a paciente parecia confiante e com a autoestima elevada e demonstrava pensamentos positivos ao ponto de acreditar que nada referente a saúde dela a abalaria.
Devido a fala e o comportamento da paciente percebe-se que ela não precisa de intervenção psicológica.
Como técnica de enfrentamento ela utiliza o apoio social. Segundo a mesma durante todos os procedimentos cirúrgicos ou internações, a irmã e as filhas sempre estão presentes oferecendo apoio.

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Quando nossos familiares e amigos estão em luto: como ajudar os enlutados

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“A tristeza é uma ferida que precisa de atenção para que possa ser curada. Penetrar na tristeza e completá-la significa encarar nossos sentimentos aberta e honestamente, expressar de maneira plena, tolerar e aceitar estes sentimentos pelo tempo que for necessário para que a ferida seja curada. […] é preciso coragem para sentir tristeza” Judy Tatelbau

A tristeza é um modo de estar vivo, de experimentar dor pela morte do ente querido. Necessitamos do apoio dos familiares e dos amigos ao expressarmos a dor do luto. Porém no sistema familiar é mais difícil obter tal apoio, pois os parentes mais próximos estão em meio à sua própria crise. Não podemos ser independentes o tempo todo; “agora” é o momento de se despedir e de ficar aberto ao amor e à ajuda dos outros.

Alguns amigos se aproximam oferecendo apoio na hora da perda, outros se distanciam por se sentir constrangidos ou por achar difícil presenciar tanto sofrimento de alguém de que gosta muito.

Independente da categoria que se encontrar, seja por se sentir constrangido ou por não saber o dizer, é importante evitar as famosas frases: “Ele está melhor que nós”; “Não chore”; “Foi melhor assim, ele estava sofrendo muito”, embora ao dizer tais palavras a intenção seja boa, tais afirmações doem e não traz consolo algum. Se não souber o dizer dê apenas um abraço forte, pois o que importa nesse momento, não são as palavras, mas sim a presença.

A dor é pesada carrega-la é exaustivo. Os enlutados precisam de cuidados. Uma das maiores necessidades do enlutados é encontrar alguém com quem compartilhar seus sentimentos, falar de suas tristezas, frustrações, lembranças e dores, entretanto tudo tem seu tempo. Geralmente esse tempo não é respeitado pelos familiares e amigos, pois mediante ao choro que traz tanta dor, a primeira reação é “forçar” o compartilhamento dos sentimentos no intuito de ajudar a diminuir o sofrimento do outro, porém essa atitude pode os entristecer mais ainda, pois tem tantas coisas acontecendo e eles se sentem tão exaustos, sem energia, sem força que expressar isso verbalmente é a última coisa que querem fazer.

Então o que é viável fazer nesse momento?

  • Respeite as reações das pessoas diante da perda. Tem pessoas que vão reagir ficando afastadas, já outras vão chorar desesperadamente. Uns vão querer companhia outros não.
  • Escute as pessoas enlutadas, dê lhes tempo para expressar e a si mesmo para conhecê-las. Deixe que as pessoas apontem o caminho a percorrer.
  • Eles vão precisar falar de suas perdas e dores. Ouça-os com o coração sem necessariamente dizer nada.
  •  Após o enterro fique por perto, pois eles sentem necessidade de consolo e de aproximação
  • Os que sofrem a dor da perda não gostam que lhes perguntemos como eles estão. A melhor escolha é perguntar “como você está hoje”
  • Dê atenção aos amigos enlutados principalmente em ocasiões especiais.
  • Transmita confiança para que o enlutado possa receber apoio. Só assim ele poderá se reorganizar e aos poucos tomar pé da realidade, enfrentando o luto de forma mais estruturada. Não critique nem censure a dor da perda.

Há alguns meses perguntei para uma psicóloga da saúde como ela fazia para lidar com o luto das pessoas e ela me fez a seguinte pergunta: “quando você está esperando muito uma ligação o que você faz?” Eu respondi: “fico muito ansiosa, porém não há nada que eu possa fazer a não ser esperar”. Então ela me disse: “é da mesma forma, você não poderá fazer nada a não ser apoiar e estar presente para o que o outro precisar.”

No longo da vida desenvolvemos diversos tipos de relação, portanto a todo momento estamos sujeitos a  passar pelo luto ou ter algum amigo enlutado, esteja la para o que ele precisar e não esqueça o menos é mais.

Referencias:

SOARES, Edirrah G.B; MAUTONI, Maria Aparecida.A.G. Conversando sobre o luto. 1.ed.: Agora, 2013.

• Psicologia Hospitalar em Ansiedade e depressão: reações psicológicas em pacientes hospitalizados.

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A constatação de uma doença em um indivíduo adulto que desempenha papéis bem definidos na família e a sua hospitalização podem gerar desequilíbrio em toda a estrutura familiar. A hospitalização acarreta a quebra do vínculo familiar, levando o paciente e a familia a vivenciarem profundas mudanças em suas vidas. Durante essa fase, é comum ocorrerem alterações de papéis e sentimentos de medo e insegurança que podem precipitar crises.

O medo da morte, as incertezas relacionadas ao prognóstico e ao tratamento, os conflitos emocionais, a preocupação com a condição financeira, as alterações de papel e a quebra de rotina podem gerar ansiedade e depressão em alguns membros da família e até mesmo no paciente.É fundamental que a equipe de saúde esteja preparada para estabelecer um relacionamento de empatia e de confiança com a família. Para tanto, é necessário que esses profissionais se comuniquem de forma adequada, a fim de retirar dúvidas e satisfazer a necessidade de informação dos familiares.

Ao ser hospitalizado, a pessoa encontra um ambiente impessoal, ameaçador e na maioria das vezes invasivo, tendo seu ritmo de vida interrompido sob um clima de medos e expectativas. Decorrente dessa experiência ameaçadora acaba por apresentar reações emocionais adversas e, frente a um manejo muitas vezes inadequado desses sintomas, pode evoluir para a não adesão ao tratamento médico indicado. Crescendo assim, cada vez mais, a necessidade de que os profissionais de saúde atentem para a compreensão dos processos sociais e psicológicos do seu paciente, reconhecendo os fatores psíquicos que interferem nos quadros clínicos.

O adoecimento pode originar fatores de risco psicossociais e biológicos tornando o indivíduo vulnerável ao desequilíbrio emocional e ao surgimento de sintomas psicopatológicos. Alguns fatores como por exemplo: a frustração na realização de desejos e necessidades, o agravamento de conflitos intrapsíquicos, a inadequação dos mecanismos de defesa, a perda de sentimento de auto estima, a alteração da imagem corporal, a ruptura do ciclo sono-vigília, uso de medicamentos e de procedimentos, bem como o isolamento social. Nos aspectos importantes durante o processo de adoecimento, a dificuldade de ajustamento, ocasionando sofrimento, sensação de abandono e medo do desconhecido. Nesse contexto sentimentos de ansiedade e depressão são especialmente comuns e são aspectos proeminentes de muitas condições médicas, visto que são respostas esperadas ao estresse e podem ser um estímulo necessário à adaptação ou ao enfrentamento de situações inesperadas.

Alguns autores conceituam o enfrentamento como sendo todos os esforços cognitivos e comportamentais, constantemente alteráveis, de controle das demandas internas ou externas específicas, que são avaliadas como excedendo ou fatigando o recurso do sujeito. Desse modo, passa a ter duas funções básicas, a de modificar a relação da pessoa com o ambiente e adequar a resposta emocional ao problema. A primeira função centra-se no problema, exigindo uma postura ativa de aproximação em relação ao agente estressor, já o segundo, centra-se na emoção, e pode representar atitudes de afastamento em relação aos agentes causadores de estresse.

Às vezes, existe uma complementaridade entre as estratégias, de modo que a forma de utilizar as estratégias de enfrentamento é determinada, em grande parte, por recursos pessoais (físicos, psicológicos, competências, habilidades sociais, etc.) e presentes no ambiente.

Por Taynara Lemes

Um ambiente hospitalar mais humanizado e aconchegante.

 

264895-970x600-1Para que possa ser colocada em prática a teoria da humanização em ambiente hospitalar, muito tem que ser feito, principalmente quando estão envolvidos profissionais de diferentes áreas. Cada profissional tem um olhar diferente sobre o paciente, porém os objetivos devem ser os mesmos: promover a reabilitação, elevar a auto-estima e preparar para retorno ao lar e o convívio familiar. Por isso, para que o cuidado seja de fato humanizado é necessário que o profissional enxergue no paciente mais do que uma patologia, um problema social, ou seja, mais um internamento.

Ao iniciar um trabalho de humanização, primeiramente deve ser feito com que o paciente se sinta realmente acolhido e respeitado. O primeiro passo deve ser direcionar uma atenção especial ao espaço físico. Esse tem que proporcionar sensação de bem estar, ou seja, ser arejado, claro, alegre, confortável, assim como também deve ser o leito em que o paciente ficará, seja por curto ou longo prazo.

No primeiro contato, o profissional deve se identificar de forma espontânea e sincera, sempre estabelecendo um diálogo direcionado ao paciente. Apenas se o mesmo não estiver em condições físicas, emocionais e psíquicas, manter um relacionamento com o acompanhante. Após cumprir os protocolos formais de apresentação, é a vez de escutar o que o paciente tem a dizer. O próximo passo é esclarecer e orientar sobre os profissionais que também estarão envolvidos no processo de reabilitação e/ou de cuidados clínicos.

Quando se fala em pacientes, podem aparecer algumas surpresas. Alguns demonstram mais receptivos aos cuidados e orientações passadas pela equipe, mas também há aqueles com menor afinidade. Sabemos que, devido a grande carga de trabalho, os profissionais muitas vezes não conseguem colocar em prática esse cuidado humanizado, pois esbarram com a frustração de não conseguirem a cura em todos os casos. Nesse momento, a sabedoria é a chave do sucesso no tratamento, pois quando o profissional se coloca no lugar do paciente, é quando se mostra disposto a fazer um trabalho realmente humanizado.

O hospital, por se tratar de um local onde os funcionários permanecem e dedicam a cada dia grande parte do seu tempo, passa a ser considerado por muitos, como a sua segunda casa/família. Logo, quanto mais aconchegantes e acolhedores os múltiplos ambientes coletivos se constituí- rem, tanto mais próximas poderão ser as relações afetivas e humanas.

Acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde. O acolhimento deve comparecer e sustentar a relação entre equipes/serviços e usuários/populações. Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é construído de forma coletiva, a partir da análise dos processos de trabalho e tem como objetivo a construção de relações de confiança, compromisso e vínculo entre as equipes/serviços, trabalhador/equipes e usuário com sua rede sócio-afetiva.

Como fazer

O olhar no olho, a escuta, o interesse e a vontade em fazer o que for preciso para ajudar o doente, faz do profissional um profissional mais humano e com uma vontade de sempre fazer amanhã, melhor do que fez hoje e tecnologias adequadas às suas necessidades, ampliando a efetividade das práticas de saúde. Isso assegura, por exemplo, que todos sejam atendidos com prioridades a partir da avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco. Para trabalhar com o próximo, bom senso é fundamental.

Por Sarah Souza

A psicologia hospitalar no atendimento ao paciente cirúrgico.

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Quem nunca se deparou com o questionamento sobre a real necessidade de um psicólogo hospitalar? Ou qual a sua função no contexto hospitalar? Geralmente surge as famosas frases: “Psicólogo só serve para ouvir quando procurado no consultório“; “psicólogo é coisa de doido” ou “psicólogo é para pessoas ricas”. Para entender um pouco das demandas acima é necessário uma pequena pincelada na historia da saúde.

Ate os anos 70 prevaleceu a visão de que saúde era a ausência de doença, desta forma a formação e a pratica medica era conduzida a buscar a cura do individuo. A visão global voltada em ver apenas a enfermidade começou a gerar novos problemas na pratica da saúde e na metade do século XX novos paradigmas foram levantados, foi quando iniciou os processos de critica e questionamento sobre o modelo científico biomédico no qual o medico era o único responsável pelo tratamento do paciente, era defendido também que as causas das doenças surgiam fora do corpo e geravam mudanças involuntárias. Tais fatores resultou na construção de uma nova ordem no campo da saúde, na qual teve estruturação na Organização Mundial da Saúde em 1945. 

Nos anos 80 e 90 a OMS realizou diversas conferencias com o objetivo de propor e construir novas diretrizes onde elementos como comportamento, estilo de vida, meio ambiente, violência e economia passaram a compor o campo de estudos da ciência da saúde, porem o foco não era exclusivamente saúde-doença, o processo saúde e desenvolvimento humano começou a fazer parte como ponto de partida para as formulações dos serviços de atenção á saúde, o que envolvia a mudança da formação dos profissionais envolvidos e a reorganização dos recursos materiais e humanos embasadas numa leitura biopsicossocial

Nesse novo modelo o ser humano é visto como um sistema completo e a doença é causada por fatores bio através de vírus,bactérias; psico (comportamento, crenças, estresse, dor) e sociais (classe, emprego, trabalho,e expectativas grupais).O tratamento não é único e exclusivamente redirecionado para o medico, agora envolve diversos profissionais da saúde (nutricionista, psicólogo, fonoaudiálogo, fisioterapeuta…) trabalhando em colaboração.

O atendimento psicológico em uma clinica cirúrgica tem como objetivo minimizar a angustia e ansiedade do paciente, visto que a cirurgia é uma especialidade da medicina na qual o local é atingindo diretamente, cortando e retirando o que está prejudicando. Em alguns casos, como por exemplo na cirurgia bariátrica, pode alterar a imagem corporal do paciente o que o leva  a desenvolver dificuldades de adaptação.

O acompanhamento psicológico ao paciente cirúrgico pode ser dividido em três momentos: pré operatório no qual é vivenciado a partir do tipo de cirurgia a ser realizada, mas também pela forma com que o paciente elabora a situação vivida. Certo medo e ansiedade são reações consideradas normais; trans-operatório e o pós operatório nesse momento o paciente está voltando da anestesia a presença do psicólogo na equipe que tratará da reabilitação do paciente é de fundamental importância, pois todas as elaborações, fantasias, medos e depressão em alguns casos, podem ser detectadas e trabalhas junto a este de forma a não se tornarem empecilhos para sua reintegração á vida.

Desta forma é possível perceber que tais experiências como a internação, a “invasão e agressão”, as dificuldade de compreensão e participação da família no cenário cirúrgico são aspecto significativos para comprovar a necessidade do psicólogo na equipe do hospital.

Por Déborah Fernandes